terça-feira, 31 de julho de 2012

Não deveria esquecer que penso.
Sou doente
E penso, reflito
E remexo.

   Em tudo que deveria ficar
   Inerte e calado.
   Sem gritar! Sem suplicar.

Isso e Aquilo,
Tudo,
Qualquer coisa,
Tanto faz.

   Eu só sei que dói!
   Arde.
   Entorpece os sentidos.

O que é visivelmente invisível
O que não foi dito.
Porque já não
Há com o que se dizer.

   Já não se sente, já não se sabe!
   Ninguém entende,
   A dor que arde.

As vogais já perderam
As cores. E
Agora o que faço?
Agora, o que sou?

   Sem ritmo,
   Nem motivo.
   Nenhuma motivação.

Quantos ainda cantam?
Eu não.
Nada mais






Ser sol

Dias do Sol esconder
Entre montes,
Após os horizontes.
Ir direção
Ao inferno,
Renovar seu calor
E luz.

Faz subir
Nuvens fumaça,
Enxofre enferrujado
Em forma de cor.

Não escuto.
Ouço silêncio pesado
Íntima natureza.

Choro.
Estou junto a deus.

Ser pássaro

Canta meu peito
Piando solfejar
Triste, sereno
E pequeno,
Sou pássaro.

Ar que passa
Em meu pulmão
Percorre ventando
Minhas asas
E venta
o meu destino.

O tempo, a meu
Ver avoado,
É o céu e as árvores.

Uma vez pousei em uma árvore bem moça de folhas e raízes
E disse-me ela: - É tão difícil atravessar o chão e fazer crescer verde.

Cantei para ela
Por vários sois
Vi seus galhos engrossarem
A fazer sombra na terra.

Minhas penas mudaram
De cor e leveza
Enquanto acompanhei
O amadurecimento
Do paciente, Guapuruvu.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Finito

Miro o abismo,
Sinto-me pronta.
A curiosidade afronta,
Quando Céu negro
É fogo.

Nunca pensei bem
Se me afogo também
Em Mar vazio
De fundo.

Talvez seja esse
O meu chão
E meu mar, empoeirado
Como o sertão.

Assim,
Não me carece sonhar.

Basta triscar
O chão
Pesado e cheio.

Permaneço em queda,
Lancei-me já
Há tempos, neste
Fim infinito

Por que foge de mim?
Por que não vem?
Por que não se entrega?

Por que ainda estas vivo?
Por que ainda, eu mesma, não te matei?
Por que ainda me importo?

Por que não me acolhe?
Por que não se sacode?
Por que a página está vazia?

Por que está cheia de vazios?
Por que não há tinta?
Por que não há mais cor?

Por que vivemos espremidos?
Por que vivemos reprimidos?
Por que é Amor?
Hoje,



Arrumarei as malas

Pegarei as pedras

Andarei as estradas

Comerei as matas

Cantarei as latas

Plantarei as massas

Regarei as luzes

Olharei as luas

Morderei as uvas

Entupirei as cidades

Cobrarei as autoridades

Perderei as maldades

Sambarei as maravilhas

Derrubarei as muralhas

Soltarei as amarras

Prenderei as ministras

Abrirei as portas

Nadarei as areias

Venderei as moedas

Soprarei as ventanias

Poluirei as lixeiras

Limparei as sujeiras

Fecharei as torneiras

Desligarei as caldeiras

Amarei as cadeiras

Esperarei as calmarias

Cuspirei as tapeçarias

Socarei as bombas

Mastigarei as balas

Transarei as pernas

Completarei as vírgulas

Sentirei as odes

Ouvirei as árvores

Serei as flores

Sonharei as realidades

Dividirei as saudades

Apagarei as lâmpadas

Acenderei as velas

Economizarei as mentiras

Doarei as alegrias

Riscarei as poesias.


Mas, hoje é futuro nas mãos de quem caminha.